segunda-feira, 29 de março de 2010

Para refletir


A professora de filosofia da comunicação passou um trabalho há cerca de um mês. Até ai nada de anormal, mas com o desenvolvimento do trabalho percebi algumas coisas, por exemplo:
É lógico que para ser um jornalista de sucesso é preciso ter conhecimento, senso crítico e saber apurar os fatos com precisão e seriedade.
Mas será que fazendo trabalhos quilométricos, resumindo três apostilas de mais ou menos 100 páginas e voltando ao século XVII, vamos ficar tão envolvidos com o cotidiano?
Quero ter logo uma resposta para essa pergunta. Não seria melhor se todas as aulas do curso de Comunicação Social (jornalismo, relações públicas e publicidade e propaganda) fossem destinadas para estudar atualidades? Como o que acontece no dia-a-dia!
Talvez até algumas aulas de história, quem sabe. Por exemplo, será que algum estudante do 1º ou do 2º ano (Comunicação Social) sabe onde fica o Everest? O que foi a Guerra dos Farrapos? Ou, qual o verdadeiro motivo da guerra entre Estados Unidos da América e Iraque?
Pois é, estamos estudando muita “teoria”. Isso é ótimo, mas a prática, que realmente interessa, veremos só lá no 4º ano da faculdade, próximo à formatura, sem saber se os formandos estão preparados para ser jornalistas competentes ou se excelentes ouvintes de curso vago de filosofia.
Pense nisso.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ciência x Religião - Quem está certo?

Viva !


Nem se quisesse o furacão Leila Roque Diniz, ou Leila Diniz, como ficou imortalizada, passaria despercebida no Brasil.
Primeiro porque a carioca, que se formou professora, dedicou-se à carreira de atriz e participou nada menos que 14 filmes, 12 telenovelas e inúmeras peças de teatro na curta carreira que manteve.
Depois, pela personalidade polêmica e ousada que não fazia questão de esconder em plenos anos 60-como exemplos, basta lembrar das fotos grávida, de biquíni, na praia(que escandalizou a sociedade feminina á época) e também da entrevista ao jornal "OPasquim", na qual Leila, entre um palavrão e outro, dizia frases como " Você pode amar muito uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo."
Com esse tipo de comportamento, a atriz e modelo era perseguida pela direita conservadora, não agradava a esquerda e era considerada vulgar peças mulheres dos anos 1960- por outroa lado,hoje, é tida como uma mulher à frente de seu tempo, exemplo na luta pela igualdade de direitos e pelo fim do machismo.
Contudo, as polêmicas e a carreira de Leila foram abreviadas por um desastre de avião quando ela tinha apenas 57 anos, em Nova delhi`(Índia), durante o retorno de uma viagem a Austrália.

Fonte: Jornal Bom Dia.

Haeee Galera, vamos combinar, Leila Diniz é nossa heroína, mulher de muita coragem e invejável aos olhos de muitos -e "Muitas"- .
Leila o nosso MUITO OBRIGADA,por ter queimado o sutiã em praça pública, e nos ter ajudado a ser mulheres Livres e felizes!
=)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Se ele soubesse

Se os homens soubessem como é fácil agradar uma mulher…

Ele tirou do bolso um pacote pequeno e disse: “Isso é para você”. Fiquei sem fala porque não esperava. Era uma lembrança mínima, delicada, talvez não tenha custado quase nada, mas durmo com ela ao meu lado desde aquele dia.

Um homem deveria entender nossas sensibilidades. As diferenças que nos tornam mulher. As que, mesmo com o tempo de luta para evoluir, não deixaram de pertencer à típica essência feminina. Embora passem os anos adoramos tê-las perto de nós.
Podemos desbravar o mundo com as nossas lanças afiadas. Controlar os instintos para que não derrubem os alicerces que foram fincados no chão para nos proteger das leis do passado. Estudar, possuir cursos e chefiar pessoas no trabalho. E, mesmo assim, jamais deixamos de sonhar. De delirar com lindos vestidos de seda nas vitrines. Sapatos que tornem nossas pernas mais torneadas. A maquiagem que brilha na face e nos transporta a lugares desiguais para que um ser masculino saiba onde fica. É fantasia. Êxtase. Mania de pó translúcido, lápis preto e rimel aos borbotões. No fundo o lema é: Ilumina mulher. Faz de conta que nada consegue apagar a luz que mora em seu coração.

Queria dizer a um ELE que dê mais flores para a mulher. Um mimo que de tão pequeno não imagina o que provoca. A lembrança tirada do bolso despretensiosamente e que entrega assim, do nada. E que efeito faz. Que brilho a vida rosada transparece. Se ele soubesse o quanto precisamos de detalhes. Dos que ficam guardados na lembrança pelo resto da existência, não deixaria de oferecer a riqueza de um grão de arroz com o nome da amada gravado ou um chaveiro que acende. Mínimos tesouros vivos. Preciosos diamantes.

Se um ELE soubesse como o bilhete no papel de chiclete ficou para sempre acomodado na gaveta dos sonhos. O que ela sente quando revela que guardou uma de suas calcinhas. A foto mínima e sensual e com seu rosto, bem escondida, para ninguém achar. Frações de sentimentos, prazeres que mexem com a carne fêmea. Que faz as asas dos sentidos voarem em liberdade.

Mulher gosta de pingos nas letras. De corações azuis espalhados na cama. De pétalas de rosas jogadas no chão do quarto. De velas acesas em torno da banheira de hidromassagem. De fortuitos beijos e transas no banheiro de uma festa.

Se um ELE soubesse que pequenos detalhes nos tornam grandes. Motivam. Engrandecem a autoestima. Que não precisa gastar tanto dinheiro com presentes caros. É claro que adoramos jóias, mas que junto a elas esteja um cartão escrito: “Mulher da minha vida”.

Não adianta dizer que perdemos a feminilidade com as lutas travadas durante séculos. . Que a delicadeza não mais importa. Que o cheiro de uma mulher não mexe com os homens. A lingerie que distorce as leis objetivas tão masculinas. Um simples e pequeno pano rendado que transtorna os hormônios e aceleram a busca de suas mãos através de nossos corpos. Que poder!

O olhar que desnuda. Os dedos que seguram firmes nossas coxas. As mordidas sutis nas curvas dos seios, as loucas investidas no íntimo de nós.

Se ele soubesse que quando esquece só por instantes o rico projeto em que trabalha e oferece os braços em um abraço, não mais nos deixaria de lado tantos dias. Telefonaria para dizer “boa noite” ou “bom dia” e que para nós representa “eu te amo”.

Como é bom observar quando um charmoso de um metro e oitenta tropeça quando nos vê. São aqueles detalhes, entende? Quem esqueceria algo assim?

Um ELE deve saber que uma ELA precisa de marcas que a deixe sonhar até o próximo encontro. Que é a escolhida entre tantas, que seu rastro marca o espaço entre os dois. Também a presentearia com uma pedra do fundo do oceano de um lugar proibido de resgatar lembranças quando foi mergulhar. Para ela daria, para mais ninguém.

Se um homem acreditasse nessa necessidade de carinho. Nos hormônios que desfalecem quando vibram com o som da voz nos amando. Das brincadeiras quando se encontram. Os bombons de licor. As paçocas baratas. O refrigerante doce. Pois é, só detalhe, mas que uma mulher jamais esquece. Como sair do caminho para vê-la de longe, só para matar a saudade. Tantas coisas um homem poderia fazer para nos ter amantes. E esses pedaços do céu não são encontrados em nenhuma loja e sim em sua criatividade.

Tomara que um ELE leia esse texto. Que possa guardar como lembrança o sinal dos tempos. O desejo que externamos e não põem em prática, mas que nunca desistimos de pedir. Se percebesse o que uma mulher precisa para ficar feliz, tiraria a foto da lua cheia ou lhe entregaria um vidro pequeno de purpurina dizendo ser o pó das estrelas. E nós, queridos, acreditaríamos porque somos chamadas Mulher.

"Beth Valentim "

Quando o substantivo e o artigo se encontram

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula... ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso, a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma “mesóclise-a-trois”. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva. Ponto final."

Redação feita por uma aluna do curso de Letras da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco - Recife ).